O Governo de Minas garantiu R$ 3,5 milhões para dar continuidade neste ano às ações do projeto Sementes Presentes, coordenado pela Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese). O anúncio foi feito na última quarta-feira pelo chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplag), Geraldo Herzog, durante oficina de avaliação e planejamento do projeto, realizada nos dias 22 e 23 deste mês, no Centro de Treinamento da Secretaria de Estado da Educação, no bairro Gameleira, em Belo Horizonte.

Geraldo Herzog lembrou que os recursos são poucos, mas se bem aplicados conseguem alcançar os objetivos pretendidos. “Os recursos do Estado estão contingenciados, temos que trabalhar com todas as restrições possíveis, não é simples, mas temos que priorizar quem precisa mais e alcançar resultados importantes”, enfatizou.

  1. Sementes Presentes – Alimento e Trabalho no Campo – é  o principal projeto do eixo de inclusão produtiva da Estratégia de Enfrentamento da Pobreza no Campo. O Governo de Minas vem investindo em uma série de ações que reúnem diversos órgãos e parceiros para enfrentar a pobreza no campo e garantir a geração de trabalho e renda para pequenos agricultores que vivem nos territórios mineiros marcados pela desigualdade social.

Foto: Omar Freire - Imprensa/MGDurante o evento, que contou com representantes de vários segmentos envolvidos no projeto, o representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Thiago Miranda, afirmou que o governo do Estado tem um papel fundamental na construção da reforma agrária e destacou a importância do Sementes Presentes. “Esse projeto garante ao camponês um mercado seguro. Temos o compromisso de entregar alimentos saudáveis aos compradores. É necessário expandir e colocar mais famílias dentro desse projeto. É o que nos dá garantia hoje”, enfatizou, lembrando que reconhece as dificuldades enfrentadas pelo governo estadual.

“Estamos vivendo hoje um desmonte da reforma agrária e de política que vêm em sentido contrário ao fortalecimento dos camponeses e das camponesas”, criticou  Thiago Miranda, lembrando que Minas tem hoje várias cadeias produtivas que podem ser fortalecidas. “O papel do poder público é fundamental para isso. Temos uma cadeia produtiva muito grande. No entanto, precisamos dos investimentos para consolidar essa produção”, enfatizou.

A secretária estadual da Comissão de Mulheres Trabalhadores Rurais da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Alaíde Bageto, agradeceu o Estado por ter ingressado nessa luta para consolidar a agricultura familiar no Estado. “A agricultura familiar tem esse papel de produzir alimentos saudáveis. Sou pequena agricultura em Barbacena e cansei de ver meu marido passar o trator na produção porque não conseguia comercializar os produtos. Temos que avançar para que o agricultor seja mais unido”, afirmou.

“Mantemos por parte da Emater o desafio imenso de dar continuidade a esse processo. Nossa equipe está alinhada e motivada para continuar esse compromisso, que a gente acha que é  uma grande inovação da política”, disse o diretor técnico da Emrpesa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), João D´Angelis.

Já o diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Minas (Sebrae), Anderson Costa Cabido, afirmou que o Sebrae tem um enorme prazer em somar esforços com o governo de Minas no Sementes Presentes. “É uma honra participar desse esforço. Esse aprendizado não pode ser perdido, precisa ser transformado em política pública de Estado. O potencial de transformação do Sementes Presentes é gigantesco. Estamos na ponta do iceberg, temos um oceano enorme para avançar,  levando melhorias para esse público, o pequeno produtor, e para esses territórios”, enfatizou, lembrando que o governo pode continuar contando com o apoio do Sebrae para dar continuidade a essas ações.

Foto: Omar Freire - Imprensa/MGRosilene Rocha, secretária de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social, lembrou que o sucesso desse projeto se deve ao esforço coletivo de combate à pobreza no campo. “A Estratégia é uma arquitetura social e todos que estão trabalhando, as instituições e a sociedade civil, são importantes. Isso é um mérito de todo mundo”, ressaltou, agradecendo a participação de todos os integrantes da mesa e participantes do projeto.

“Falamos muito de trabalho intersetorial mas, na prática, fomos educados para fazer disputas. E isso aqui é exatamente o abandono dessa prática liberal a que fomos acostumados. A Estratégia conseguiu a intersetorialidade para que todos estejam juntos. Ela está conseguindo deixar a disputa e integrar. Nossa educação liberal é para a disputa e é isso que estamos mudando para fazermos um trabalho colaborativo, parceiro, visando aquilo que está lá na ponta, que são os territórios, as famílias”, disse.

A secretária lembrou também que o Sebrae foi um dos primeiros órgãos  que acreditou que essa arquitetura social poderia dar certo e que os resultados, de fato, chegariam às pessoas, às comunidades esquecidas pelo poder público em geral. “Esse trabalho conjunto dos extensionistas da Emater com os técnicos dos Cras (Centro de Referência de Assistência Social), com o pessoal da assistência na ponta, tem revelado exatamente aquelas famílias mais vulneráveis. E esse é um desafio que a própria assistência social no Brasil e em Minas tem. Vocês estão nos ajudando a encontrar essas famílias. E esse trabalho em conjunto vem trazendo para dentro do mundo oficial, inclusive das estatísticas, essas pessoas que estão lá no campo”, enfatizou Rosilene Rocha.

O secretário de Educação em Exercício, Wieland Silberschneider, afirmou que o projeto é mais do que uma política de governo. “O que estamos fazendo é uma política de Estado. A obrigação, a determinação de compra de 30% (dos produtos) da agricultura familiar não deve e não pode ser visto como uma questão administrativa, burocrática, para satisfazer os órgãos de controle, mas um comando que pretende corretamente empoderar o segmento importante da economia brasileira, da cultura brasileira que, uma vez empoderado, promove uma série de transbordamentos sociais e econômicos”, disse, lembrando que o Sementes Presentes só está acontecendo porque  houve uma determinação clara e firme do governo Fernando Pimentel, de forte atuação no combate à pobreza no campo. “O projeto é vivo, está conectado com a economia, com a sociedade de Minas Gerais”, garantiu.

“Esperamos que esse trabalho dê continuidade. Mais que  um projeto, temos que avançar para que  isso seja uma política pública permanente e, quem sabe, não só nos territórios prioritários, mas em todo o Estado de Minas Gerais, pensando então em uma política de implementação”, enfatizou José Antônio Ribeiro, o T’sé, chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda).

Durante o evento, José Ribeiro fez também uma provocação aos participantes, para que pensem juntos a questão da regularização fundiária, priorizando os assentamentos da reforma agrária, de comunidades indígenas e de quilombolas. Ele ressaltou também a importância de valorização das câmaras técnicas, no sentido de aproveitar mais esses espaços.