Foto: Dirceu Aurélio/Seap Vinte e cinco detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, começaram nesta segunda-feira, 21.05, o curso de Gestão de Microempresa. A iniciativa é fruto da parceria entre a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) e a Fundação de Educação para o Trabalho de Minas Gerais (Utramig). A capacitação acontece de segunda à sexta-feira, em uma sala de aula da escola instalada na unidade prisional. No total, serão três meses de atividades com uma carga horária de 160 horas.

Para a diretora de Atendimento e Ressocialização, Maristela Andrade, o curso reforça ainda mais o trabalho executado no complexo. “O principal que a gente tira disso tudo é ter esse parceiro de peso, que é a Utramig. Parabenizo o trabalho das nossas pedagogas, se não fosse por elas que tanto se dedicam na execução desses projetos, nada seria possível. Isso reflete em toda evolução educacional das detentas”.

A escolha das presas levou em consideração vários detalhes, um deles foi a aplicabilidade no dia a dia. Por esse motivo, seis presas que trabalham com artesanato foram selecionadas. A pedagoga da unidade prisional, Priscilla Zocrato, explica como foi feito esse processo. “Em cada nova parceria que conquistamos para o Sistema Prisional, vislumbramos uma nova oportunidade na formação e aprimoramento dos indivíduos privados de liberdade. Para a seleção de presas, utilizamos critérios objetivos bem claros, entendendo que toda empreitada é sempre uma aposta no sujeito”.

Shirlei Cristina da Silva é umas das artesãs, e confecciona peças artesanais utilizando as mais diversificadas técnicas com linha e já vislumbra um novo futuro com a capacitação. “O curso hoje me traz grandes esperanças, penso em abrir meu próprio negócio e expandir as vendas dos meus produtos, quero gerenciar minha própria empresa".

O curso será dividido em dois módulos e as aulas serão ministradas por dois professores da Utramig em dias intercalados. A ideia é levar às detentas ensinamentos sobre gestão e desenvolvimento de competências para introduzir, inovar e fazer gestão de micro e pequenas empresas. Além disso, elas estudarão noções de marketing, atendimento, postura profissional, promoção de vendas, entre outros.

A professora Patrícia Cristina Coelho é a responsável pelo primeiro módulo. Formada em Direito, levará para as presas noções básicas sobre leis, saúde da mulher, direito da mulher, economia solidária, lições de vida, entre outros temas com foco na formação cidadã. É a primeira vez que leciona em uma unidade prisional, e foi um pedido dela dar aula no local.

“Venho com o objetivo de ajuda a mudar a vida dessas mulheres. Elas estão aqui para saírem ressocializadas, e precisam entender sobre os seus direitos, deveres, sobre o mundo que encontrarão lá fora. Acho que temos que acreditar que as pessoas vão ser melhores a cada dia, e temos que proporcionar essas oportunidades. Eu acredito que temos essa obrigação cidadã de transformar a vida das pessoas”, relata Patrícia.

Ao final, todas as participantes receberão certificado de conclusão, desde que atendidas às exigências de frequência.

Parceria Utramig

Esse não é o primeiro curso oferecido pela Utramig no Sistema Prisional. Em 2017, cinco mulheres concluíram o curso de Informática Básica, em Pará de Minas, no Complexo Penitenciário Doutor Pio Canedo. E, por meio de parceria com a Apac de Itaúna, outras 15 mulheres  se qualificaram como almoxarife.  Também formaram 19 alunos no curso de Assistente Administrativo, na Cidade Administrativa, no semestre passado.

Além desses três cursos executados de forma presencial, a Utramig, em parceria com a MRV Engenharia e com o Complexo Penitenciário Público-Privado, em Ribeirão das Neves, formou 53 detentos nos cursos técnicos de Informática e de Segurança do Trabalho. Todas essas iniciativas foram desenvolvidas em parceria com a Secretaria de Estado de Administração Prisional.

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