Na última quarta e quinta-feira (11 e 12), João Monlevade sediou a 4ª Feira Regional da Economia Popular Solidária, uma iniciativa da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), em parceria com o Fórum Mineiro de Economia Solidária, Conselho Estadual de Economia Popular Solidária (Ceeps), associação Aprender Produzir Juntos (APJ) e Prefeitura de João Monlevade. O evento foi realizado na Praça do Povo, das 8h às 21h.

No total, foram 30 expositores da região com produtos da agricultura familiar, quitandas, vestuário, artesanato, bijuterias, brinquedos, artigos religiosos, artesanato em geral, entre outros. O evento contou  também com as presenças do subsecretário de Trabalho e Emprego, Antônio Roberto Lambertucci, e da diretora de Educação e Apoio à Autogestão dos Empreendimentos, Ana Carolina Ribeiro.

“Essa é uma iniciativa importante, que ajuda a dinamizar a economia e cultura locais principalmente porque inclui pessoas no mundo do trabalho. Ela, ainda, contribui para a discussão de políticas públicas locais de geração de renda e de autonomia financeira das famílias e das mulheres. Ajuda a incluir social e economicamente famílias e pessoas,  além de contribuir para fortalecer o Fórum Regional de Economia Solidária”, declarou o subsecretário Antonio Lambertucci.

Gircélia Soares e Cleusa Maria Andrade comercializam artigos religiosos e outros artesanatos. A dupla estava com boas expectativas. “Essa feira é importante para mostrar a arte, a cultura de São Domingos do Prata, de João Monlevade, então isso é muito bom, é uma parceria com outras cidades, uma oportunidade para apresentar artesanatos diferentes. Está sendo muito legal”, revela Cleusa.

Gircélia e Cleusa esperam aumentar as vendas e  ampliar a visibilidade do trabalhoKellen Fernanda Araújo, que tem na venda de brinquedos e quebra-cabeças em madeira sua  única fonte de renda, participou pela primeira vez da Feira de Economia Popular Solidária em 2016 e retorna agora. “Ao promover a feira, o Estado ajuda demais, não temos nada semelhante em Monlevade. A feira ficou bonita e a gente atrai clientes da cidade que não costumam vir aqui. Então é importante, pois dá para divulgar mais o nosso trabalho. É uma iniciativa que ajuda muito mesmo, a gente agradece”, elogia a feirante.

A moradora Nair Assis Ferreira, 72 anos, procura participar de todas as atividades de João Monlevade e na quarta-feira (12), foi até a Praça do Povo para conferir. “Excelente, muito bom. Parabéns ao criador e organizador do evento. Só de ver as pessoas de Monlevade expondo seus trabalhos é magnífico e tomara que continue.” Sobre a qualidade dos produtos que são ofertados na feira, ela afirma que “a gente vê que é autêntico, é natural. Muita gente traz da sua própria horta ou cultivo, sem agrotóxico. Isso que é bacana, são produtos naturais”.

Dona Nair costuma comprar bijuterias e artigos de decoração nas feiras populares, além de apreciar as comidas típicasDe acordo com Simone Souza, representante da APJ e uma das coordenadoras das feiras regionais, a realização da feira fortalece e consolida o setor de Economia Popular Solidária em João Monlevade. “Com a oportunidade, percebemos que as pessoas se voltaram para conhecer o que é a economia solidária. Então, é importante para o município, para a região do Médio Piracicaba, essa divulgação, esse fortalecimento da economia solidária”, esclarece.

Moeda Social

Circulação da moeda Lisa é incentivada nas Feiras da EPSLisa é o nome da moeda social, em homenagem ao Padre Giovane Lisa, fundador da APJ, disponibilizada pelo Banco Comunitário de Liberdade e Inclusão Social Articulada (Banclisa), a moeda é aceita em vários empreendimentos na região Sul de Teófilo Otoni e é uma das formas de pagamento para realizar compras nas feiras de EPS. Na feira, são aceitos pagamentos tanto na moeda social, quanto no Real. Não há obrigatoriedade para utilizá-la, mas há um incentivo para que as pessoas façam o lastro, ou seja, a troca do Real pela Lisa.

Além do Banclisa, a Feira de EPS de João Monlevade também contou com a participação do Banco Popular do Pequeno Empreendedor (Banpope), de João Monlevade. “A intenção é que o Banpope crie sua própria moeda”, explica a representante do Banclisa, Gabriela Oliveira Dantas.

Empreendimento econômico solidário

Na economia solidária, os trabalhadores se associam livremente e se organizam de forma democrática, a partir da cooperação no trabalho e inserindo, neste processo, preceitos de igualdade e solidariedade. A economia solidária se configura como uma política pública de trabalho e renda, diferenciada por valores pautados a partir do desenvolvimento sustentável e da inclusão produtiva sem distinção de idade, gênero ou raça.

Oportunidade de inclusão produtiva

As feiras populares são uma ação desenvolvida pela política pública de Trabalho e Renda. Tratam-se de eventos frequentes e regulares, podendo ocorrer sempre no mesmo local ou em rodízio, com um calendário pré-definido e um espaço onde a população pode encontrar produtos e serviços de origem local, direto do produtor ou de suas organizações representativas da Economia Solidária.

Para este ano, foram programadas 11 feiras regionais, dessas, três já foram realizadas. Anote as datas das próximas oito. Participe a ajude a divulgar essa iniciativa!

TABELA FEIRA