Como está o mercado para a pessoa com deficiência em Minas? As empresas estão conscientes do seu papel? Estão obedecendo a Lei 8.213/91 e contratando mais esses trabalhadores? Esses temas foram debatidos no “Dia D de Inclusão”, que neste ano foi realizado em duas etapas: para empresários, no dia 18 de setembro, no auditório do Sesc, no centro de Belo Horizonte, e para pessoas com deficiência, no dia 28, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) , Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE/MG) e Prefeituras. Os eventos reuniram cerca de 300 participantes, entre pessoas com deficiência e empresários.

Nos dois dias, os encontros discutiram a inclusão desses trabalhadores e dos reabilitados do INSS interessados em ingressar no mercado de trabalho, bem como a importância das empresas cumprirem as cotas de inclusão e do Sine cadastrar esses trabalhadores para encaminhar às empresas.

Foto: Carlos Alberto - Imprensa/MG“Esse é o quarto ano que o “Dia D” acontece para que a sociedade, as empresas, as prefeituras muncipais e os governos estadual e federal fortaleçam a Lei da Inclusão. Mas já estamos colhendo bons resultados. Dos  dias 18 ao 28 foram cadastradas cerca de 1.100 vagas”, explica Rosana Bastos, assessora para Inclusão da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese).

Para cumprir o mínimo determinado pela lei,  as empresas com mais de 100 funcionários devem preencher de 2% a 5% de seus cargos com reabilitados ou pessoas com deficiência.  “Além de aprender o passo a passo para o cadastramento, as empresas receberam informações sobre a fiscalização das cotas, a Lei Brasileira de Inclusão e iniciativas  inovadoras”, completa.

Empresas mineiras estão contratando mais pessoas com deficiência

Em Minas Gerais, de acordo com dados da RAIS 2017, das 930.559 pessoas com deficiência, somente 31.652 são empregadas em 3.239 empresas privadas, cumprindo apenas 54% do total de vagas de acordo com a lei. “Mas essa média de cumprimento de cota nas empresas tem crescido muito. As empresas que têm entre 201 e 500 empregados apresentam o maior percentual de cumprimento integral da cota”, afirma Patrícia Siqueira, auditora fiscal do trabalho e coordenadora do Núcleo de Inclusão da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/MG), completando ainda que os percentuais variam de acordo com a quantidade geral de colaboradores efetivamente contratados.

“É importante que a gestão de uma empresa se preocupe em estimular seus colaboradores com a prática da inclusão, bem como outra forma de melhorar o desempenho da empresa em todos os departamentos”, afirma a auditora.

Supermercado Verdemar inova na inclusão

Foto: Carlos Alberto - Imprensa/MGA Organização Verdemar se uniu ao Núcleo de Inclusão da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho em Minas Gerais para promover a inclusão de Pessoas com Transtornos Mentais, criando o Programa Aprendiz PTM. Participam pessoas clinicamente estabilizadas, medicadas e em tratamento contínuo nos Centros de Referência em Saúde Mental (Cersam) da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

De acordo com o superintendente de Recursos Humanos do Supermercado Verdemar, Leandro Souza Pinho, o objetivo foi criar o programa para romper as barreiras culturais que isolam essas pessoas do convívio social, incluí-las no ambiente de trabalho para que possam  conquistar o exercício pleno de sua cidadania.  

Para as pessoas com transtorno mental (PTM), a empresa criou um protocolo de acompanhamento que envolve profissionais de diversas áreas e contato direto com familiares, assistentes técnicos e psiquiatras para atendê-las. “A empresa mobilizou 16 profissionais remunerados para assessorar o projeto e, atualmente, custeia seus programas de inclusão para deficientes remunerando mais de 150 funcionários, com salário diferenciado no segmento do varejo supermercadista”, conta.

Esperança de ser contratado

Enquanto esperava ser chamado por um atendente do Sine para fazer sua inscrição para uma vaga disponibilizada pela empresa, no hall da Assembleia Legislativa, o jornalista Guilherme Souza, 26 anos, formado na PUC, conta que mesmo com as campanhas realizadas para as empresas contratarem o deficiente, não consegue trabalhar na área. “Acho que as empresas ainda possuem preconceito com deficientes. Elas oferecem vagas em trabalhos secundários e não para curso superior. Mas com esses eventos elas estão ficando mais esclarecidas, aumentando assim nossa esperança de um bom trabalho”.

Também para Leandro Cardoso Gontijo Pena, 32 anos, cursando Letras Livre, por meio de sinais traduzidos pela especialista em Libras, as empresas têm preconceito com as pessoas deficientes. “Mas quero realizar meu sonho de um dia ser professor”, enfatiza.

Dia D chega aos municípios

Para fortalecer a contratação dos trabalhadores e atingir a meta da Lei da Inclusão 8.213/91, que exige que a empresa com mais de 100 funcionários preencham de 2% a 5% de seus cargos com reabilitados ou pessoas com deficiência, o Dia D também vai acontecer nos dias 8 em Teófilo Otoni e Passos, dia 13 nas cidades de Governador Valadares, Curvelo, Montes Claros, Poços de Caldas, Varginha, Paracatu, Uberaba, Juiz de Fora, Frutal, Caratinga e Coronel Fabriciano, dia 20 Ipatinga e dia 21 na cidade de Araxá.

Tabela com as regiões, datas e locais (PDF 191Kb)