Quem passou pela praça da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte nos dias 23, 24 e 25,  se fartou de uma boa comida,  artesanatos, bordados, crochês, tapetes, mel puro e roupas recicladas de várias regiões de Minas. Era o 14º Festival Estadual da Economia Popular Solidária, com 100 empreendedores das regiões do Sul Mineiro, Campo das Vertentes, Jequitinhonha, Vale do Mucuri, Norte de Minas e 18 cidades da região Metropolitana de Belo Horizonte. Iniciativa da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), em parceria com o Fórum Mineiro de Economia Solidária, Conselho Estadual de Economia Popular Solidária (Ceeps) e  Associação Aprender Produzir Juntos (APJ), “os festivais acontecem em todas as regiões mineiras dando visibilidade à economia popular solidária e possibilitando a formação e criação de oportunidades para os empreendedores”, afirmou Léa Braga, superintendente de Políticas de Empreendimento da Economia Popular Solidária da Sedese.

Tricotando juntas

A Economia Popular Solidária se configura como um diferencial para as políticas públicas de trabalho, emprego e renda, apontando para uma nova lógica de desenvolvimento sustentável. Seus resultados econômicos, políticos e culturais são compartilhados pelos participantes, sem distinção de gênero, idade e raça. Mas as mulheres é que mais se envolvem no projeto. Andréa Cristina de Paula e Yasmim Cristina estão tricotando há 20 anos. No ônibus, a caminho da universidade, no intervalo da novela, na fila de espera do banco, do supermercado. Adoram o que fazem. São tocas coloridas, tapetes, flores e bonecas que rendem dinheiro para pagar as contas. O que elas têm em comum? Andréa é mãe de Yasmim e já perderam a conta do tempo que tricotam juntas. "Acho que desde que nasci", brinca Iasmim. Elas participam da Feira da Economia Popular Solidária há quatro anos.

De Passos, Sheila Reis coordena o empreendimento Empório Recriart. Durante os três dias de feira, ela mostrou e divulgou a reciclagem em tecido. "Há dois anos coordeno o projeto de reciclagem têxtil para sete mulheres. Com o trabalho, defendemos o meio ambiente e geramos trabalho e renda". Sheila faz parte do Fórum Municipal de Economia Solidária.

Ana Carolina Roberto é artesã de Belo Horizonte costurando e bordando bolsas e vestidos coloridos. Há quatro anos participa da Feira da Economia Popular Solidária, de onde tira seu sustento. "Acho o projeto muito bacana porque ajuda muito quem está fora do mercado e quer começar seu negócio compartilhando princípios e gestão”.

Governo mineiro investe na organização, capacitação e estruturação

Em 2018, aconteceram feiras da Economia Popular Solidárias nas regiões de Governador Valadares, Poços de Caldas, Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Diamantina, Paracatu, Conselheiro Lafaiete, São João Del Rei e Teófilo Otoni. Também já foram capacitados 660 empreendedores em 33 municípios do Estado, com 44 oficinas temáticas. Além de elaborar o plano de trabalho (ações e atividades),foram realizadas 22 oficinas para mulheres, 11 para jovens e 11 sobre fundos rotativos solidários.

Em 2017, a Feira Estadual, que reuniu na capital mineira 120 empreendimentos, de 22 municípios mineiros, recebeu público de aproximadamente 7 mil pessoas e alcançou R$ 129.968,00 de faturamento. A próxima Feira da Economia Popular Solidária acontece em Diamantina, nos dias 6 e 7 de julho.