Divulgação/SEEMesmo com a população brasileira mais preocupada com uma alimentação saudável, o alto grau de agrotóxico coloca o Brasil numa triste estatística: é um dos maiores países consumidores desses produtos, que leva um grande número de pessoas a adquirir doenças ao longo de suas vidas.

Entre 2000 e 2014, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), apontou que o Brasil aumentou em 135% o uso de agrotóxicos, passando de 170 mil toneladas para 500 mil. Esse forte crescimento rendeu ao país o primeiro lugar no ranking dos que mais consomem agrotóxicos.

Mesmo com esse dado alarmante, em Brasília, deputados estão propondo a flexibilização do registro de agrotóxicos que, se aprovado, vai comprometer ainda mais a segurança alimentar do brasileiro.

Enquanto deputados vêm demonstrando um grande descaso com a alimentação das pessoas ao apresentar tal proposta, o governo de Minas vai  em sentido contrário. Ele avança na luta contra os agrotóxicos, buscando uma alimentação mais saudável para a população do Estado. Esta caminhada teve início com o decreto do governo mineiro nº 47223, de 26 de julho de 2017, que criou o Grupo Executivo Permanente da Estratégia Intersetorial de Redução do Uso de Agrotóxicos e Apoio à Agroecologia e à Produção Orgânica (GEP), para coordenar e implementar as ações.

Pioneirismo

Em Montes Claros, a 420 km de Belo Horizonte, 57 escolas públicas serão beneficiadas com arroz orgânico, por meio dos editais coletivos do Projeto Sementes Presentes, coordenado pela Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Secretaria de Estado de Educação (SEE) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater–MG). O Sementes Presentes tem por objetivo ampliar o acesso da agricultura familiar aos diferentes mercados institucionais públicos e, entre eles, as compras da alimentação escolar. Os fornecedores são os agricultores familiares da reforma agrária, que garantirão o benefício a 35.105 alunos, com a venda  de 12.453,30 quilos de arroz, cujo investimento foi de R$ 36.363,49.
De acordo com o representante do MST, Bruno Diogo, a cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária Terra Livre,  de Nova Santa Rita, foi a vencedora no processo de chamamento público de forma coletiva. A compra vai propiciar uma boa alimentação sem agrotóxico, colhida com certificação orgânica. A cooperativa possui 1096 famílias e o MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina.

Comida mais nutritiva

A preferência do governo pelo arroz orgânico se deu devido aos riscos dos agrotóxicos, que são prejudiciais à saúde. “A produção orgânica visa o desenvolvimento sustentável do ambiente e o estilo de vida saudável. O arroz integral é o tipo  mais nutritivo de todos, mantém mais vitaminas solúveis em água, minerais, fibras e gorduras”, afirmou a coordenadora do Programa de Alimentação Escolar da diretoria de Suprimento Escolar, da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, Tatiane Guimarães Perri Maciel.
Segundo o secretário o secretário do GEP, Edmar Gadelha, assessor da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), a aquisição do arroz orgânico dos assentamentos da reforma agrária pelas escolas de Montes Claros garante alimentos saudáveis ao alunos. “Consideramos uma grande vitória do governo reduzir o uso de agrotóxicos com estas compras em Minas”, comemora.

“Com as perdas dos direitos do trabalhador brasileiro promovidas pelo governo federal, precisamos facilitar o acesso do pequeno agricultor ao mercado institucional e a permanência das famílias no campo com uma alimentação mais nutritiva e aumento da renda. Com o arroz orgânico, além da qualidade com a alimentação para os estudantes, vamos aumentar a porcentagem das compras das escolas e a proteção do meio ambiente. Quanto menos agrotóxicos,  mais saúde para os alunos", enfatiza Rosilene Rocha, secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social.