Cerca de 80 profissionais iniciaram, na manhã de terça-feira (19), a capacitação introdutória para atuarem no Programa Juventudes/Projeto Trampos, da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE). São equipes formadas por articuladores, mobilizadores, auxiliares logísticos e coordenadores de inclusão produtiva que irão a campo para mapear e identificar, durante os próximos três meses, as demandas da educação profissional nos 15 municípios que integram a segunda fase do Trampos. A capacitação, promovida por técnicos da Sedese, prossegue até quinta-feira (21), na Utramig, em Belo Horizonte.

O projeto, que em 2017 qualificou profissionalmente 1006 jovens nos municípios de Belo Horizonte, Contagem, Betim, Ribeirão das Neves e Passos, em 2018, vai beneficiar mais de 15 mil jovens nos municípios de Curvelo, Diamantina, Montes Claros, Divinópolis, Juiz de Fora, São João Del Rey, Governador Valadares, Teófilo Otoni, Paracatu e Uberlândia, além dos seis municípios já participantes.

A ampliação da abrangência territorial é uma das novidades da segunda fase do projeto, outra é a forma de gestão. “A gestão do projeto é compartilhada entre a Superintendência de Programas Especiais (SPE) e a Subsecretaria de de Trabalho e Emprego, o que fortalece a proposta de qualificação profissional e a inclusão produtiva, especialmente do empreendedorismo juvenil e a economia solidária”, explica uma das coordenadoras do projeto e técnica da Sedese, Maria de Lourdes Menezes.

“Não se trata apenas de qualificação profissional, é também promover o acompanhamento, o monitoramento das ações nos territórios e nesse processo estabelecer cada vez mais uma relação, uma tessitura de rede que propõe o fortalecimento de vínculos comunitários”, completa a coordenadora pedagógica do projeto, Rogéria Freire.

A segunda fase do Projeto Trampos será executada nos próximos 20 meses pelas equipes ora capacitadas, das instituições vencedoras da licitação (Abordagem Comunicação e Marketing, Educcappe e Instituto Cultural Boa Esperança –ICBE) e nesse período técnicos da Sedese e SEE vão atuar diretamente no embasamento teórico e prático para as equipes que se dirigirão aos territórios.

Além da qualificação profissional, com a oferta de cursos, o Trampos também realiza minicursos de orientação profissional e presta assessoramento técnico a jovens empreendedores.

A participação de todos os envolvidos, característica do projeto desde o início, também está presente nesse segundo momento. “O formato da proposta reforça a construção coletiva, que se concretiza no planejamento participativo, inclusive com a presença dos jovens, público do projeto”, explica Alexandre Freitas, supervisor do projeto em BH e RMBH.

“Todo o projeto é construído a partir do planejamento participativo. Temos uma carteira de mais de 80 cursos, mas as definições dos cursos, das diretrizes dos minicursos e das ações de fomento do empreendedorismo e de economia solidária, por exemplo, serão tomadas em conjunto com os jovens, empreendedores locais e pelos representantes da rede sociocomunitária e educacional do território”, completa o técnico da Sedese. “Esta dimensão do projeto, de construção coletiva, e sua própria execução resultam na inauguração e formulação de políticas públicas”, analisa Rogéria Freire.

Além da coordenação compartilhada entre a SPE, Subsecretaria de Trabalho e Emprego, Subas e as instituições vencedoras da licitação e executoras do projeto, foi criada uma estrutura na Sedese, composta por gestor, coordenadores e supervisores do projeto além do já existente Grupo de Trabalho, com técnicos da Sedese e da SEE para pensar o projeto de forma intersetorial. E novamente as Diretorias Regionais da Sedese e as Superintendências Regionais de Ensino da SEE ocupam papel fundamental na execução do projeto, contribuindo na coordenação, monitoramento e apoio técnico, entre outras atribuições.   “As superintendências de ensino são as grandes interlocutoras com as escolas e por esta razão, são fundamentais na identificação dos jovens com perfil para participar do projeto”, explica Rogéria.

O público do Projeto Trampos são jovens de bairros de alta vulnerabilidade social, dentre os quais a prioridade são os jovens de escolas estaduais com defasagem de idade/ano; em cumprimento de medida socioeducativa de meio aberto; egressos do sistema socioeducativo e do sistema prisional; jovens chefes de família e/ou com filhos; vítimas de violência doméstica e/ou de gênero; LGBT e aqueles que não estudam, nem trabalham.

No primeiro dia da capacitação os profissionais se familiarizam com concepções de juventude e territorialidade. O segundo dia é dedicado ao detalhamento da operacionalização do projeto e no terceiro será debatido o planejamento participativo, que prevê ainda entrevistas com empreendedores e a rede local, rodas de conversa com os jovens e planejamento de ações de educação profissional e de articulação para geração de trabalho e renda, nos territórios envolvidos.

O jornalista Ugo Soares, um dos articuladores do projeto, acredita que o projeto fará a diferença. Ele vai atuar na Vila Olavo Costa, bairro de Juiz Fora, com altos índices de criminalidade e falta de acesso à cultura e educação. “A impressão que fica é de seriedade. É que toca na ferida do sistema, vai trabalhar com pessoas que estão correndo risco social. A gente observa o empenho de dirigentes da secretaria, e na minha opinião, é uma sinalização de que podemos fazer um trabalho consistente e que influencie na construção de vidas melhores. Como profissional da comunicação já atuo nos movimentos de base, tenho a acrescentar a experiência de uma pessoa que está no campo, com um olhar humano e colaborativo. Quando a gente se coloca em pé de igualdade, o processo flui mais, gera um vínculo de confiança e a transformação acontece”.

Os ensinamentos da educação integral e popular são as bases da proposta pedagógica do Projeto Trampos. “Se na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fossemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprendemos a falar com eles” (Paulo Freire).