Qual a melhor forma de ressocializar uma mulher vítima de violência? Como atender mulheres e meninas que foram vítimas de exploração sexual? Que políticas públicas devem ser desenvolvidas para haver igualdade salarial entre os gêneros? Estas foram algumas perguntas que guiaram a programação da primeira videoconferência de 2016 com o tema “Políticas Públicas e a Rede de Atendimento para Mulheres,” realizado naa terça-feira (15/03) pela secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese).

Com a participação de 81 polos da Universidade Aberta Integrada (Uaitec) em Minas, a abertura da transmissão foi realizada pela secretária Adjunta da Sedese, Rosilene Cristina Rocha. A secretária abordou os projetos sociais que buscam a autonomia das mulheres, como é o caso do programa Bolsa Família.

Rosilene Rocha citou dados do CadÚnico, mostrando que as mulheres são responsáveis por 92,49% das famílias cadastradas no programa em Minas.  Os dados apresentados pela secretária apontam ainda que 59% das matrículas do Pronatec  foram feitas por mulheres e que são elas as responsáveis por 54,2% das operações do Minha Casa Minha Vida. “Estes programas buscam dar autonomia e empoderar a mulher para que ela possa fazer suas próprias escolhas,” afirmou.

O subsecretario de Trabalho e Emprego, Antônio Lambertucci expôs um panorama da situação da mulher no mercado de trabalho mineiro em 2015. Os dados mostram 1,15 milhão de homens admitidos contra 600 mil mulheres. “A média salarial também aponta essa desigualdade: homens recebem em média R$1.015 contra R$600 das mulheres,” ponderou Lambertucci. Sobre as estratégias da Sedese para a questão do trabalho, emprego e renda, o subsecretário ressaltou que uma das ações propostas é atuar juntos aos postos do Sine na captação de vagas para o público com maior vulnerabilidade.

Violência e Superação

“A gente pensa a violência contra a mulher como uma coisa distante, mas no Brasil a maior parte das mulheres já sofreu violência, seja na rua ao ouvir frases indecorosas como se fossem elogios, além das agressões físicas e sexuais. Temos hoje, muita dificuldade em quantificar e tipificar a violência, pois infelizmente existe um hábito de que o corpo da mulher é do outro e não dela”, alertou a subsecretária para Mulheres da secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), Larissa Borges Amorim.  

A subsecretária comentou sobre o atendimento nos Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas). “Deve ser feito de forma com que  faça a mulher se sentir um sujeito de direitos e dona da própria história”, ressaltou.

Foi o que aconteceu com Francisca Maria da Silva (Xica da Silva), Coordenadora dos Fóruns Nacional e Estadual de Economia Popular Solidária, que também participou da videoconferência.  Mãe de três filhas, ela foi vítima de violência doméstica por mais de 10 anos e hoje é um exemplo de como o apoio de programas sociais pode contribuir para o empoderamento das mulheres. “Nós mulheres somos 52% da população e mãe dos outro 48% e precisamos ter o devido respeito. Na Economia Solidária somos 75%, a maioria tem ensino fundamental incompleto, mas nosso conhecimento popular é infinito e isso merece ser respeitado e valorizado”, salientou.

Com três horas de duração e participação do público com envio de perguntas pelo sistema Uaitec, a videoconferência contou ainda com a presença da superintendente do Consórcio Mulheres das Gerais, Ermerlinda de Fátima; a coordenadora da Divisão de Proteção Social Especial de Betim, Maria José de Souza Coelho e do Diretor de Proteção Especial da Sedese, Régis Spíndola.