Em 2012, foram registradas em Minas mais de 4,9 milhões de pessoas com vínculos empregatícios formais no mercado de trabalho. Deste total, apenas 0,68% era de Pessoas com Deficiência (PCD). Os números foram apresentados pela assessora para Inclusão da secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Rosana Bastos, no Clico de Debates, com o tema "A pessoa com deficiência e o mundo do trabalho - superação, legalidade e inclusão", realizado nesta segunda-feira (14/03). 

 
Rosana Bastos, que foi atleta paralímpica e uma das fundadoras da Associação Mineira de Paraplégicos, abordou a trajetória histórica da pessoa com deficiência, passando por quatro estágios: eliminação, segregação, integração e atualmente a inclusão. “O termo portador reforçava a ideia de exclusão, porque a deficiência, na maioria das pessoas não é temporária”, pondera. 
 
Base legal
 
A Convenção nº 159 da Organização Internacional do Trabalho (OIT); a Lei de Cotas (Lei Federal nº 8.213/91); e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei Federal nº 13.146/15) constituem a base legal sobre os direitos das pessoas com deficiência.  “Tivemos muitos avanços com a Lei de Inclusão. Na educação, por exemplo, as escolas particulares não podem mais cobrar valores diferenciados para as PCD’s”, observa Rosana. 
 
Na Sedese, entre os principais pontos destacados pela assessora de Inclusão está a colocação de uma pessoa com deficiência para tratar das questões relativas às PCD's que, segundo Rosana, dá maior credibilidade ao setor . Ela ressaltou ainda uma maior atenção da secretaria no desenvolvimento das políticas de inclusão.
 
Dia D
 
Outra ação de destaque da Sedese foi a realização do “Dia D” – Dia de inclusão social e profissional das pessoas com deficiência e dos beneficiários reabilitados do INSS, realizado em setembro de 2015 que, de acordo com Rosana Bastos, trouxe um reconhecimento maior da subsecretaria de Trabalho e Emprego (Subte) da Sedese.  A atividade aconteceu em 24 cidades mineiras, com mais de 2.300 participantes, 1.721 vagas captadas, 228 encaminhamentos para vagas de emprego, 442 empresas presentes, além do atendimento prestado pelos servidores da área.
 
Entre as novas propostas, está a implantação da metodologia de Emprego Apoiado, que primeiro incentiva a contratação das pessoas com deficiência pelas empresas para capacitá-las no próprio ambiente de trabalho. Outro ponto em desenvolvimento é a realização de curso de culinária para jovens com Síndrome de Down e a possibilidade de realizar duas edições do "Dia D" no ano. 
 
Dados do último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, mostram que mais de 45,6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência - visual, auditiva, motora ou intelectual. Do total, 26,5% são mulheres.  Em Minas, o IBGE registrou mais de 4,4 milhões de pessoas com deficiência.