Assim como faz todas as tardes, há cerca de um mês, acompanhada de sua filha, Iasmin, de apenas sete meses, Elizabeth Cristina de Souza, foi para a aula do curso de Almoxarife, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Apolônia, no Jardim Leblon, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte.

Ela faz parte de uma turma de 24 mulheres, que desde o início de maio, está sendo qualificada pela Fundação de Educação do Trabalho (Utramig), para atuarem como almoxarife. O curso, com duração de três meses é realizado com recursos do Programa Mulheres Mil, executado via Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), e é resultado de parceria entre a Utramig e a Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social.

Autônoma e desempregada, Elizabeth espera mais do curso do que conhecimentos técnicos. “Para mim está sendo importante, estou aprendendo a falar em público e participar das atividades, estou perdendo a timidez, um complicador para mim nas entrevistas, além de acrescentar no meu currículo”, explica.

Empolgada, supera obstáculos diariamente para estar presente. “Este é o primeiro curso, às vezes eu chego atrasada, por que tenho que resolver alguma coisa, meu marido está preso. Eu trago ‘minha’ bebê por que não tenho quem deixar”.

Solidárias, as colegas de curso se revezam nos cuidados. “A gente ajuda conforme cada uma pode, olha um pouquinho, não sei se você observou, mas a menina olhou para trás e estava mexendo com minha mão, eu fiquei prestando atenção na aula e brincando com ela ao mesmo tempo”, conta Gisele da Silva Fonseca, avó de Jamile, de sete anos, também presente na sala de aula.

E Gisele já encontrou uma aplicação para o que está aprendendo. “Soube do curso e me interessei. Meu marido tem um mini depósito de material de construção e estou passando o que aprendo aqui para ele crescer no negócio. Aprendo também para o meu futuro. Não posso perder nem um detalhe do que a professora ensina”, diz.

Na aula dessa segunda-feira a professora Mariana Lara Morais falou sobre a organização do trabalho. “A turma é dedicada, são mulheres de 17 a 50 anos, com um alto índice de frequência. Elas prestam atenção, anotam tudo e participam. Querer saber é o primeiro passo”, comenta a professora, que pretende um pouco mais. “Estamos discutindo aqui no Cras, ainda é uma proposta, mas vamos tentar encaminhar as mulheres para o comércio e empreendimentos locais, dessa forma a mão de obra fica mais barata já que não tem despesa com transporte.”

Sobre o que aprendeu no dia, Grazielle de Oliveira Martins, resume: “Saber como o Japão resolveu a questão da organização do trabalho é muito importante. A gente percebe a evolução, vê no conjunto, de forma mais ampla, agrega bastante”.

Esta é a segunda qualificação feita pela Grazielle e como da primeira vez, espera ser bem-sucedida. “Fiz o curso de cuidador de idosos e por cinco anos e quatro meses atuei na área. Tive boas recomendações, gostei do serviço, fiz conforme o planejado e esperado e agora com esta oportunidade quero trabalhar na área administrativa”, conta.

O Programa Mulheres Mil, de cobertura nacional, promove a formação profissional e tecnológica, articulada com aumento de escolaridade de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Em 2013, o Mulheres Mil passou a ser executado também no âmbito do Pronatec.